Radio e Televisão de Portugal

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Ainda tive esperança que o CDS pudesse evitar, mas pelo que diz a Comunicação Social, não conseguiu.

Com o PSD no Governo, a Rádio e Televisão de Portugal vai tornar-se a Rádio e Televisão de um grupo qualquer de média. E que bom que isso é para um dos fundadores do partido (pelo menos).

Todos sabemos que os grupos media privados regem-se única e exclusivamente pelo lucro. Não é novidade para ninguém. Assim sendo, era preciso ser muito ingénuo  para pensar que a RTP, após privatizada,  vai continuar a mostrar o país, o que nele se faz de melhor, as festas e romarias, as pessoas, as tradições, o desporto (do surf ao btt, andebol, basquet, futebol, da orientação, do desporto escolar, etc), entre outros. Parece-me pouco provável que a RTP2 continue a ser (na minha opinião) o melhor canal de sinal aberto em Portugal, um canal que se preocupa com a diversidade e qualidade dos seus conteúdos, sem publicidade, em vez de se preocupar com as audiências. É pouco provável que a Antena 2, rádio especializada na música clássica e erudita, tenha futuro num grupo media privado. Vê-se pelos outros media: creio que mais nenhum tem uma radio assim. Tinha de ser a rádio pública, que o PSD se prepara para extinguir (como pública, claro).

A Radio e Televisão de Portugal tem 9 canais de televisão (RTP1, RTP2, RTP Açores, RTP Madeira, RTPN, RTP Memória,  RTP Internacional, RTP África e RTP Mobile) e 14 rádios, algumas a emitir em FM/AM e online (Antena1, Antena2, Antena2, RDP Açores, RDP Madeira Antena 1, RDP Madeira Antena 3, RDP Internacional e RDP África), outras só online (Rádio Lusitânia, Rádio Vivace, Antena 1 Vida, Antena 3 Rock, Antena 3 Dance e Antena 1 Fado).

Este grande grupo media público foi “desenhado” pelo Governo PSD de Durão Barroso, sendo o ministro da tutela na altura Morais Sarmento. Em 2002, sob a tutela de Morais Sarmento, Almerindo Marques juntou RTP- Radiotelevisão Portuguesa e RDP – Radiodifusão Portuguesa na RTP – Rádio e Televisão de Portugal SGPS, e apetrecha a Rádio e Televisão públicas do melhor que existe a nível técnico e tecnológico,  tendo mesmo criado o melhor centro de produção da Europa. Isto tornou a nova RTP muito “apetecível” aos grandes grupos de média privados.

Assim, não será estranho que o PSD – que antes criou este grande grupo para Portugal e para os Portugueses e agora quer vendê-lo – diga que tem vários grupos interessados.

A questão é: será benéfico, será do interesse público (que é o que todo o Governo, seja qual for a cor política, jura perseguir no acto de tomada de posse) por em causa a promoção de Portugal no país e no Mundo, a todos os níveis – cultura, desporto, economia, etc -, num país que pretende “renascer”, promover a produção nacional para sair da crise? Pretendemos promover Portugal e incentivar a produção nacional e vamos vender um poderoso grupo media público que já o faz há muitos anos?

Sinceramente sou contra e não entendo esta intenção do novo Governo. Há que ter visão estratégica e não só preocupar-se em obter dinheiro a qualquer custo. Há muito por onde vender sem ser em sectores estratégicos para o desenvolvimento da economia, como a media, a banca (a CGD), os transportes e a energia.

 

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