Antes de mais, para que não haja dúvidas, não estou aqui para ofender ninguém nem ser ofendido. Tanto quanto percebo, este é um grupo para debate de opiniões. Dessa forma, respeito a opinião de todos e peço que todos respeitem a minha.
Após esta introdução (para clarificar a minha posição), deixem-me clarificar outra coisa para a qual não estou aqui: “politiquisse”. O diz-que-disse, os pormenores de pequena importância, são usados pelos politicos no seu dia-a-dia para, nos media, afastar a atenção das pessoas do que é mais importante: as grandes medidas e reformas do país. E todos o fazem, desde o BE, passando pelo PC, PEV, PS, PSD e CDS-PP. Muitas vezes assistimos a discussões no Parlamento não pelas melhores ideias para melhorar o país, mas pela melhor retórica para dissecar aquele pormenor que A ou B disse ou fez, passando-se horas naquilo, como se de algo útil e produtivo se tratasse. “Politiquisses” são coisas boas para, com um toque de ironia, colocarmos no nosso perfil do facebook ou nas conversas no café com os amigos. Mas se queremos discutir seriamente o estado do país, não servem.
Outra coisa é “não pensar”, o simples acto de “não pensar”, feito muitas vezes por milhares de portugueses. Hoje vêm o deputado X do partido Y acusar o Governo de fazer “assim” ou “assado” e amanhã já é conversa de café: “Sabes o que o Governo anda a fazer? Assim …”. Mas se o deputado, jornalista ou o comentador político W diz no dia seguinte que não é “assim” ou “assado”, mas sim “frito” ou “cozido”, o discurso muda” Olha afinal parece que o Governo anda a fazer «frito» ou «cozido». Que vergonha…”
Mesmo com a poderosa fonte de informação que é a internet, são poucos são os que tentam saber mais, ler documentos, ler propostas, ler declarações (etc) e, finalmente, pensando por si mesmos, tirar conclusões. Não quero com isto dizer que os media e os deputados, entre outros, mentem sempre ou têm posturas menos apropriadas. Ainda há pessoas sérias (quero acreditar nisso). Mas são pessoas, tal como todos nós, que moldam os factos, colocam o seu cunho pessoal, a sua opinião nos mesmos. Por muito bom profissional que seja um jornalista, nunca é parcial. O facto de editar uma notícia e cortar o que acha menos importante, já é cunho pessoal. Mesmo estando num país democrata, sem ditadura ou censura (em teoria), nós nunca saberemos tudo através da comunicação social. Só lendo documentos oficiais.
Para terminar, podem chamar-me de “picuinhas”. Não me importo. Mas enquanto nós andamos a discutir “politiquisses”, andamos distraídos, e isso ajuda os Governantes a, nas nossas costas, aprovarem as medidas que realmente nos interessam. “Mas os representantes do povo, os deputados, votaram a favor”. Enquanto houver disciplina de voto, eles nunca serão os representantes do povo, mas sim os representantes dos lideres dos partidos. Como é que alguém que nem pela sua própria cabeça pode pensar antes de votar, poderá ser a voz de quem o elegeu?
Em suma, sou totalmente a favor de um movimento que promova a melhor informação dos portugueses sobre o que realmente se passa no país, sobre o que os representantes eleitos fazem ou deixam por fazer, enquanto estão nos cargos políticos, pagos por todos nós. E sou a favor de que muitas das “major questions” da nossa política sejam decididas por democracia directa – referendos – e não representativa. Os referendos saem caros, ao Estado, é certo, mas mais caro saem décadas de política que se provaram erradas para o povo, sem que o mesmo se possa pronunciar, uma vez que os seus representantes se fecham em gabinetes para ouvir os seus lideres e não vêm para a rua, ouvir o povo que o elegeu.
Comentário da minha autoria num grupo fechado no Facebook sobre o assunto, minutos atrás.