Vi ontem o “Prós e Contras”. A conclusão imediata foi: há muita gente a comentar sobre praxes que não sabe o que elas são. E eu consigo entender isso porque já passei pela experiência de querer contar a amigos e familiares o que é Coimbra, o que é o espírito académico desta cidade e é difícil, muito difícil, alguém entender sem por aqui passar. Mas, depois, como em tudo na vida, há aqueles que debatem apenas do que sabem e há aqueles que têm de ter opinião mesmo no que não dominam minimamente.
Posto isto, há que esclarecer que, para mim, os pontos altos daquele programa foram quando os presidentes das Associações Académicas de Coimbra e Lisboa (em momentos diferentes) e até o Professor Eduardo Vera Cruz, à sua maneira, frisaram que o Ensino Superior tem problemas bem mais graves por resolver do que as praxes e que os abusos em nome da praxe (que, como disse o Prof Vera Cruz, não basta alguém invocar que é praxe para passar a ser), como os abusos em qualquer outra matéria que violem os preceitos constitucionais e legais, devem ser punidos criminalmente. Porque nenhuma “praxe” está acima da Lei.
Um dos pontos fracos para mim foram o desrespeito pelo debate demonstrado pela jornalista Fernanda Cancio. Que a Sra. Jornalista ache normal estar ao telemóvel enquanto os outros intervenientes estão a opinar sobre o assunto, é lá com ela. Mas há momentos em que a sua distracção é por demais evidente. Recordo de uma altura em que um professor universitário e, se não estou em erro, Vice Reitor da Universidade Lusófona, está na plateia, no uso da palavra, a explicar o que para ele deve ser debatido, o que deve ser a praxe (contra aquilo que é) e o que a Escola onde ele lecciona fez para promover a integração, em suma, a sua opinião, e quando termina, Fátima Campos Ferreira dá a palavra a Fernanda Cancio que é “apanhada” a olhar para o telemóvel e a sorrir – imagino com algo que tivesse acabado de ler no mesmo – e pega exactamente na mesma frase usada anteriormente: “ninguém aqui está a querer debater as praxes”. Eu – que aponto como outro ponto fraco o desrespeito da plateia, com palmas e apupos que roubavam tempo substancial ao debate – acho por demais evidente que, numa sala cheia e com a importância dada ao assunto, alguém se iria manifestar. E foi o que aconteceu. Alguém disse algo do género “se não estivesses só ao telemóvel já terias ouvido debater a praxe”. Já dizem os antigos que “quem semeia ventos, colhe tempestades”.
Outro dos pontos fracos foi a tentativa de ridicularizar quem tem mais matriculas, independentemente dos motivos. Eu, por exemplo, sou trabalhador estudante, já tive a matricula congelada por 3 anos porque não conseguia conciliar com o trabalho e agora vou tentando conciliar como “estudante a tempo parcial”, que me permite fazer 5 cadeiras semestrais por ano. Como podem compreender, mesmo que fizesse as 5 cadeiras por ano, levaria vários anos até terminar. E é só um exemplo. Curioso que, do painel e/ou acerca da praxe, eu até concordo. A função dos mais “antigos” na universidade deve ser transmitir as suas experiências aos mais novos. E para isso não é preciso hierarquias. Mas há quem tenha muitas matriculas porque não consegue articular vida académica com vida privada e/ou profissional.


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