Uma amiga partilhou isto e eu respondi (apenas a ela, não no post original) o que aqui abaixo transcrevo.
Isto tem a sua quota parte de verdade e a sua quota parte de demagogia.
Portugal não tem mais funcionários públicos do que a média europeia. Isto dito por vários estudos realizados por pessoas isentas em relação a qualquer força politica. Isso é ponto assente. Depois, os trabalhadores do Estado descontam para a CGA, não para o sistema normal da SS.
O sistema que temos – chamado “pay as you go”, quer dizer, pagamos agora para que está a usufruir agora possa receber – era a única possibilidade na altura, pois quem estava, aquando da criação das reformas dos mais velhos (que eu sempre li que foram criadas por Marcello Caetano, por isso não entendo como Salazar é metido ao barulho), os que estavam em idade de receber não tinham nunca descontado simplesmente porque ninguém lhes tinha pedido quaisquer descontos. Então era necessário optar por este modelo. Já se pensou várias vezes em mudar para o modelo de reserva – em que a SS funcionaria como um banco, guardando os nossos descontos para o futuro – mas nunca se avançou pois todos os estudos mostram que o sistema entraria em colapso (optou-se por motivar as pessoas a fazerem planos poupança reforma, através de benefícios fiscais).
O orçamento da Presidência da Republica (ao contrário do da AR que já foi cortado várias vezes) é, de facto, bastante alto. E Cavaco é o presidente cuja casa civil mais tem gasto, nas últimas décadas (devia ter sido o contrário, devido à crise).
Para terminar, vejo frequentemente as pessoas dizerem que é uma vergonha para o Estado os ordenados dos administradores da PT ou EDP. São empresas privadas. Quem decide os ordenados são os accionistas em assembleia geral ou nos conselhos de administração das mesmas, não o Estado. E na Administração Pública, os vencimentos já se encontram todos indexados ao vencimento do Presidente da Republica (uma das poucas boas iniciativas do governo socialista de Sócrates), ou seja, ninguém ganha mais que o Presidente. Basta pensarem que o actual Ministro da Saúde era Director Geral dos Impostos e saiu quando soube que, devido a esta legislação, o seu ordenado ia baixar drasticamente.


Deixe um comentário