A nova novela “Belmiro de Azevedo”

Nasceu hoje pela mão da comunicação social uma nova novela, para afastar os holofotes de Gaspar e Passos Coelho.

Belmiro de Azevedo defendeu no Clube dos Pensadores o modelo da mão de obra barata. E saltaram-lhe em cima. Mas o que ninguém foca – e essa é a parte mais importante das declarações do Presidente do Conselho de Administração da Sonae – é que ele disse que devia haver uma relação entre o salário e a produtividade. A frase correta, citada pelos jornais, foi “a economia só pode pagar salários que tenham uma certa ligação com a produtividade”. Isto é, quem mais produtivo é, mais recebe. Acham isso mau? Eu acho justo.

Para além de que, por muito incomodo que este assunto possa ser (especialmente para mim, que sou, por convicção de esquerda), a verdade é que só poderemos evoluir e deixar o modelo de baixos salários se aumentarmos a nossa produtividade. E para isso acontecer é preciso haver condições. E quando falo em condições, falo em incentivos.
Se pensarmos que, numa empresa, numa determinada função, trabalham 20 funcionários e desses 10 são empenhados e esforçam-se por melhorar continuamente o seu desempenho, enquanto que os restantes limitam-se a cumprir o horário laboral, fazendo o mínimo imposto pela função, se aqueles 10 que se empenham não forem de alguma forma compensados pelo seu esforço, vão acabar por desistir. E serão 20 a fazer o mínimo.
E se não mostrarmos a mais valia do nosso trabalho, o nosso empenho, a nossa qualificação, as empresas fugirão para outros países, onde a mão de obra é mais barata.  Um empregador só aceitará pagar mais por um empregado se o retorno (a sua produtividade) for superior do que outro, a quem pode pagar menos. E nós somos bons. Basta ver que, no estrangeiro, muitos preferem os portugueses. Porquê? Alta produtividade, alto empenho, com salários inferiores aos nacionais desses países.

Quando dizemos, em tom de brincadeira, que as pessoas procuram emprego e não trabalho, evidencia-se, embora num tom não muito sério, isto mesmo. Quem quer trabalhar, quem quer fazer mais, deve ser apoiado a fazê-lo. Só desta forma não perderá motivação e trará motivação a outros.
O pior é que sempre foi assim. Os melhores negócios, mais duradouros, sempre foram aqueles onde patrões e funcionários, em equipa, se empenharam em desenvolver o negócio, por crescer para o bem comum (lirismos à parte, um trabalhador empenhado, garante que a empresa progride, que o seu posto de trabalho se mantém e que o seu empregador vai precisar do seu empenho para continuar a crescer; um empregador empenhado, motiva os seus trabalhadores a produzir mais compensando-os e, como retorno, o negócio cresce, bem como o seu lucro). Mas só agora, “apertados” com a crise, é que muitos acordaram para a dura realidade, bem diferente da idílica ideia de que, com financiamento dos bancos, se faz tudo.
Dirão muitos que, na teoria, devia funcionar assim. Se ninguém se empenhar em que assim funcione, nunca vai funcionar. E nem a Maya consegue prever o futuro. Há que por mãos à obra.

 

Imagem: DR in Noticias ao Minuto