Conter ou não conter

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Após pensar muito – o que também pode ser um problema – creio ter chegado à conclusão que não sei lidar com a dor. Não a dor em sentido estrito, físico, mas em sentido amplo, como qualquer situação que nos provoca qualquer tipo de mau estar, mais do que físico, psíquico ou emotivo, se quiserem.

Curioso era que ainda há pouco tempo comentava achar piada, embora com estranheza, que o actor Hugh Laurie (conhecido como o Dr House na série “House MD”) tivesse dito numa entrevista televisiva que tinha dificuldade em lidar com o prazer.

Mas sim, tenho enorme dificuldade em lidar com a dor, em sentido amplo, como disse anteriormente. Quando, por algum motivo, me sinto em baixo, aborrecido, deprimido, …, lidar com isso só agudiza qualquer um dos referidos sintomas. E acabo normalmente por me isolar – dentro do possível – até que tal “estado de espírito” decida afastar-se.

A mesma coisa com a dor alheia, mas dos que me são próximos. Se eu não consigo lidar comigo mesmo, como lidar com os outros? Não dizer nada a colega ou amigo que está ou esteve doente,  que teve um grande azar na vida ou que lhe faleceu um familiar ou amigo parece-me, no mínimo, inapropriado. Até porque, quando são amigos verdadeiramente importantes, nós sentimos também parte da dor que afecta essas pessoas próximas de nós. Mas dizer o quê? O que é que verdadeiramente importa nestas circunstâncias? Não sei. Nunca soube e duvido que venha alguma vez a saber.

O “saúde” quando alguém espirra, o “as melhoras” quando alguém está doente, “para a próxima corre melhor” quando alguém teve azar ou “os meus pêsames” quando falece alguém. Toda a gente o diz. Fará sentido? Para mim, em principio, ouvir isto acaba por ser uma questão de educação e delicadeza. Alguém quer mostrar que não é indiferente ao sofrimento do outro e expressa-o daquela forma. Mas eu sou uma pessoa – como dizer – estranha. Porque, quando alguém me disser alguma daquelas expressões, provavelmente já restarei no meu “retiro”, no meu “isolamento” e, por isso, estranho seria que tais palavras significassem mais do que isto. Mas em relação aos outros? Será que é isso que querem ouvir? Será que é suficiente? Será que significa alguma coisa, que dão algum valor a tais expressões, ou encaram, como eu, apenas como um gesto educado e gentil?

Dilema complicado para a minha cabeça. E que julgo que continuará comigo para todo o sempre.

 

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