As escadas monumentais e as pinturas

Não está em causa o facto da tinta sair ou não com a água. Não está em causa a liberdade de expressão. Está em causa o civismo.

Pintar as escadas monumentais da Universidade de Coimbra não é bem o mesmo que pintar um muro de uma estação de comboios ou uma parede de um prédio abandonado.

Para além demonstrar um oportunismo político gritante – qualquer sitio muito frequentado parece servir para ser pintado com umas palavras de ordem -, está em causa o civismo de quem o praticou, ao usar património da Universidade de Coimbra, candidata a património mundial da UNESCO, para campanha política. E pintam nas monumentais como se fossem outras quaisquer escadas, com meia dúzia de anos, sem nada para contar. E não querem que os estudantes se revoltem.

Comparam a sua acção à da Associação Académica de Coimbra. Não me recordo – sinceramente – de ver qualquer direcção da AAC pintar as escadas. Lembro-me de cartazes, lembro-me de faixas, lembro-me de tripés de madeira com cartazes, até me lembro de labirintos em madeira. Mas não me lembro de pinturas da AAC.

Falam em liberdade de expressão. Será? Então se os senhores deste partido ou de qualquer outro quiserem pintar a parede de minha casa com campanha eleitoral eu sou obrigado a permitir para não atentar contra o direito constitucionalmente consagrado da liberdade de expressão dos senhores?
Para mim é puro abuso de direito pensar que, em nome da liberdade de expressão, se pode pintar campanha eleitoral em qualquer lugar. É a minha opinião, vale o que vale e cada qual tem a sua.