Comecei a pensar e, realmente, não há melhor forma de aprender como funciona a politica e os seus golpes baixos do que recordar o Prof. Cavaco enquanto Primeiro Ministro.
A oposição diz que o Governo de Passos Coelho prepara mais cortes para a seguir às eleições autárquicas, Será verdade? Não sei, mas é bem possível. Relembremos o Prof. Cavaco.
Em 1994, logo a seguir às eleições europeias, o Governo liderado por Aníbal Cavaco Silva decide aumentar o valor das portagens na travessia do Tejo através da única ponte então existente na capital, a Ponte 25 de Abril. Foi Ferreira do Amaral, na altura Ministro da Obras Públicas e agora administrador não-executivo da Lusoponte (coincidência?), quem o anunciou na televisão.
Iniciaram-se numerosos protestos que ficaram conhecidos como “o buzinão da Ponte 25 de Abril”, fortemente reprimidas pela policia (enquanto os camiões do exercito rebocavam os camiões que bloqueavam o acesso à praça da portagem), que avançou à ordem de Manuel Dias Loureiro, então Ministro da Administração Interna, mais tarde administrador do BPN, que o levou a arguido no mais conhecido caso de fraude bancária (a par do BPP). Só coisas boas, portanto. O resultado destes confrontos foram vários danos materiais, vários feridos, maioria entre civis e um cidadão paraplégico, depois de ter sido atingido por uma bala de borracha disparada por um agente da PSP. E no final quiseram remediar a situação, deram mais um mês sem portagens e tentaram que o aumento não fosse tão grande como inicialmente anunciado (quase o dobro). Ah, e o Prof. Cavaco, como sempre, culpou a extrema esquerda e o PCP, como habitualmente.
A lição a retirar daqui, aquilo que o Prof. Cavaco nos ensinou é, em suma: se tens algo de muito mau a anunciar, anuncia só depois das eleições, pois aí já não podem voltar atrás com o voto. E que os portugueses nunca estão insatisfeitos. Se há manifestações é sempre culpa do PCP e da extrema esquerda.
Mais info: http://www.youtube.com/watch?v=F9n9utFe0RY (by RTP)
