O principal problema deste país é que os trabalhadores não ganham por objectivos, em função do que produzem, em função do que realmente merecem.
Temos muita gente a ganhar “por antiguidade” ou “por cunha”, sem fazer nada por merecer o que auferem, quando há recém licenciados, muito mais aptos a fazer o mesmo trabalho e com uma produtividade muito muito elevada.
E perguntam vocês: “então porque não substituem esses que nada fazem pelos novos que estão no desemprego, se são melhores?” Por causa das leis de protecção ao emprego. Parece um contra-senso, não? Mas como se resolve isso? Mudando a lei, para maior flexibilidade da contratação. Mas o que é que os sindicatos, formados maioritariamente por pessoas que já lá estão há 20 ou 30 anos dizem? “Isso facilita os despedimentos”. É verdade. Mas tal como nós nos desfazemos dos “monstros” quando estão a mais nas nossas casas, as empresas querem desfazer-se dos “monos” e empregar quem realmente é capaz e não podem. Enquanto isso há gente a ganhar ordenados altíssimos sem nada fazer, enquanto há imensos no desemprego desejosos por poder fazer algo para ganhar nem que seja metade.
Outro contra-senso: alguém que realmente quer trabalhar e precisa mesmo de trabalhar, não pode impor condições. Não pode dizer “só vou trabalhar se aparecer algo nesta área”. Conheço muita gente com cursos superiores que foi trabalhando noutras áreas (call centers, lojas, cafés, bares, etc) até arranjar na sua área! E conseguiram. Mas trabalharam noutras áreas até conseguir e, em muitos casos, foi o facto de trabalharem que os fez conseguir o emprego na área que queriam.
Em Portugal muita gente quer emprego, mas não trabalho. Muita gente quer ter subsídios, sem nunca terem descontado o suficiente para isso. A sorte é que em Portugal, existe um sistema de segurança social em que a população activa paga para todos os subsídios, para todos os outros. Se existisse um sistema de reserva, em que se recebesse consoante se descontasse, muita gente recebia zero! Portugal é o país onde – espantem-se – o subsidio de desemprego é, em média, um dos mais altos. Ainda há uns dias ouvia um amigo que já teve um café dizer que muitas pequenas empresas não podem contratar muitos funcionários, pois no nosso país um funcionário trabalha 11 meses do ano e recebe 14! Na maioria dos países europeus, ganham 12!
Para que fique claro, eu não sou de direita. Mas chateia-me que a esquerda parlamentar portuguesa venha encher os ouvidos dos portugueses com falsos moralismos, com falsas e vazias propostas, que sabem que são demagógicas, inconsequentes e não concretizáveis.
Mais apoio social, mais apoio na saúde, mais apoio aos desprotegidos, mais, mais, mais, mais! Claro! E arranjamos dinheiro onde se eles dizem que temos de dar mais apoio aos que não têm emprego e retirar carga fiscal aos que têm? Têm alguma fórmula mágica? Eu sei que já não tenho matemática na escola à muitos anos, mas continuo a achar que se eu tirar de um lado, ele não “nasce” no outro.
E não é de agora, com este Governo de centro-esquerda, que andam a falhar “nas contas”. Já houve muita conta falhada com o Sr. Prof. Cavaco Silva (e o seu “gang”, muitos deles agora suspeitos no caso BPN, que vamos ver como termina), com o Sr. António Guterres (o Governo mais esquerdista que tivemos ate aqui, que caiu no populismo de dar tudo e mais alguma coisa, num Estado que pouco tinha para dar), com o Sr. José Manuel Durão Barroso (que assim que teve oportunidade, foi-se embora; se bem se lembram, os primeiros cortes brutais foi com este Sr. como primeiro ministro e a Sra Manuela Ferreira Leite como Ministra das Finanças) e o seu “comparsa” Pedro Santana Lopes (que segundo conta a comunicação social – vale o que vale -, nomeou mais assessores em 6 meses que o seu colega de partido em 2 anos). O Sr. José Sócrates começou muito bem, a meu ver ( também vale o que vale a minha opinião ), com limitações de mandatos, limitações de vencimentos (politicos que recebiam vários ordenados por terem várias funções viram-se limitados a um dos vencimentos), limitações de acumulação de vencimentos com pensões, etc, etc. Mas cedo (2 anos após), viu que se fosse por aquele caminho perderia as eleições seguintes. Então o dever patriótico passou interesse politico e lá se foi a nobreza da governação socialista.
Para terminar, uma mensagem à comunidade: se acham que estes governantes governam mal, na próxima vez, levantem o rabo da cadeira ou do sofá no domingo e vão votar!