Com certeza que os fãs da maioria vão dizer que estes ministros foram nomeados pela sua experiência e competência para estas áreas. A sério? Vamos ver algumas notas curiosas.
António Pires de Lima, gestor de empresas, 51 anos, saiu em defesa de Álvaro Santos Pereira várias vezes desde 2011, escreve o jornal SOL. “Em outubro do ano passado, numa entrevista à RTP1, Pires de Lima dizia que não lhe passava pela cabeça ser convidado para o Governo e elogiava como “bastante meritório” o trabalho de Santos Pereira“, escreve o jornal para “fechar” uma peça em que traça o perfil do novo ministro. Neste perfil, não passa ao lado o facto de ter papel de relevo no CDS-PP desde 2002 e ter sido eleito, em 2004, para a comissão executiva do partido. De certeza este facto e o facto de ser presidente da Mesa do Conselho Nacional do CDS-PP foram completamente alheias à nomeação para ocupar o cargo do ministro que sempre defendeu.
Rui Machete foi presidente do PSD e administrador do Banco de Portugal (por onde passou também Cavaco Silva, enquanto director do Departamento de Estatística e Estudos Económicos). Foi presidente do Conselho Executivo da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, onde foi acusado de má gestão, por ter investido em acções do Banco Privado Português (BPP), onde foi membro do Conselho Consultivo, que a Fundação acabou por perder com a falência do banco. Foi presidente do Conselho Superior da Sociedade Lusa de Negócios, proprietária do BPN, «um lugar que garante poder de “fiscalização”», escreve o jornal Público. Claramente, só deve ter contado para a sua nomeação a licenciatura em Direito (esperemos que esta seja real) e a sua experiência governativa nos anos 80. Tudo o resto, são puras coincidências, que devem contar tanto como uma moeda de 2 cêntimos que acidentalmente perdemos.
Jorge Moreira da Silva, 42 anos, «nasceu em Vila Nova de Famalicão a 24 de abril de 1971, é licenciado em engenharia eletrotécnica pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, tem uma pós-graduação em direção de empresas, é casado e tem três filhos», escreve o Expresso. E o semanário diz ainda que «foi presidente da JSD, eurodeputado, secretário de Estado dos governos PSD/CDS-PP de Durão Barroso e Pedro Santana Lopes, conselheiro do Presidente da República, Cavaco Silva, do Banco Europeu de Investimento e da Comissão Europeia para o ambiente e a energia e diretor da área da economia de energia e alterações climáticas do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.» Pequena nota: este programa não era aquele que o Artur Batista da Silva dizia ser coordenador e depois se veio a provar que era fraude? Era pois. Mas passemos à frente. Obviamente que não contou para a nomeação o facto de Moreira da Silva ter ajudado Passos Coelho na tentativa de chegar à presidência do PSD onde perdeu para Manuela Ferreira Leite, nem o facto de ser actual vice-presidente do PSD, número 2 de Passos Coelho.