Esta questão da Grécia pensar agora num referendo vem por a nu uma verdade inequívoca: esta politica que privilegia os mercados e os agentes económicos, em suma, os mais ricos, em detrimento da maioria, as classes média e baixa, é sustentada pelos políticos e não pelos povos, pela população, que estes deviam representar.
O referendo devolve à população a legitimidade democrática que viu defraudada quando os políticos decidiram fazer a vontade ao bloco central (Alemanha e França), virando as costas aos seus conterrâneos. E é quase uma certeza que, num referendo, os gregos dirão não a mais este pacote de austeridade. E tenho a convicção que esse é o desejo do Governo do partido socialista grego. Parece-me que o Primeiro-Ministro Papandreou deixou de acreditar na politica europeia, deixou de acreditar que os sucessivos pacotes de austeridade e politica recessiva que foi obrigado a adoptar pela chamada “Troika” (Comissão Europeia, BCE e FMI) resolvam algo e procura, com este referendo, encontrar um motivo para dizer “não” aos parceiros europeus.
Nouriel Roubini, conhecido economista de NY, apelidado de “Dr Doom” (ou Dr Destino) por ter já previsto várias crises económicas, disse há algum tempo que a Grécia devia sair do Euro e, recorrendo à desvalorização do dracma, resolver os seus problemas financeiros de forma muito mais rápida do que com a ajuda de Bruxelas. Disse também que Portugal e Espanha terão inevitavelmente de seguir o mesmo caminho em 5 a 7 anos. A Grécia, pelos vistos, está próxima da previsão. E nós? Voltaremos nós ao escudo e a Espanha à peseta como diz a “profecia” do “Dr. Doom” ?


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