Skip to content

Metro Mondego

Metro Mondego

É com bastante tristeza – até revolta – que li esta notícia, que confirma que o Governo não tem intenção de continuar com o projecto do Metro Mondego e, possivelmente, irá substituí-lo por autocarros eléctricos. É revoltante a forma como os dois governos, quer o socialista, quer o de coligação, trataram a população que este projecto deveria servir.

O comboio que fazia a ligação entre Serpins e Coimbra era um importantíssimo meio de transporte para as populações dos concelhos da Lousã e Miranda do Corvo e sua ligação com Coimbra. O lançamento do projecto Metro Mondego criou uma enorme expectativa de melhoria em termos de serviço público de transporte quer para os referidos concelhos, quer mesmo para Coimbra, que ganharia uma nova forma de viajar dentro da cidade. Não vou aprofundar o projecto pois está tudo online, até no site oficial, com fotos do que já foi feito.

Para fazer sentido, vou apenas referir que, com o inicio das obras do projecto, foi necessário retirar a linha percorrida pela locomotiva diesel da CP e, consequentemente, suspender a ligação por carris entre Serpins e a capital dos estudantes. E, em substituição, foram criadas linhas de autocarros.

Ora bem. Os socialistas suspenderam as obras. Os sociais democratas e centristas mantiveram-nas suspensas. O único laivo de esperança foi quando o anterior ministro da economia, Álvaro Santos Pereira (afastado pouco tempo depois de ter dado a entender que iria reduzir as verbas que o Estado paga à EDP), afirmou que o Governo iria inscrever o Metro Mondego no plano comunitário de apoio que estava para breve, de forma a concluir o projecto. O ministro foi afastado e tudo voltou à estaca zero. Zero não é bem o caso, porque a linha férrea foi levantada (o que quer dizer que nem metro, nem comboio) e, pelo que dizem os moradores e as fotos, no trajecto entre Serpins e a Portela (uma das entradas em Coimbra) já muito está feito, ao nível das infraestruturas de apoio.

Parar agora é, para mim, uma absoluta estupidez. Não há dinheiro para o projecto como foi concebido? Reformule-se o projecto. Se não se pode fazer a linha entre Serpins e os Hospitais da Universidade de Coimbra, faça-se só até ao Parque, como estava antes com o comboio. Ainda assim, só com esse percurso, não é rentável com as novas composições (como as do metro no Porto) ? Reponham a linha da bitola usada em todo o país pela CP (com as devidas adaptações na infraestrutura de apoio) e reponham os comboios da CP. Ainda há pouco tempo foi noticia que a CP tinha várias locomotivas restauradas, prontas a usar. A CP é uma das accionistas da Metro Mondego e, a meu ver, teria todo o interesse em voltar a operar naquela linha, como toda a população gostaria de voltar a ter comboio.

O problema dos governos é não ponderar todas as hipóteses e, acima de tudo, não querer admitir os erros e retroceder. Quando algo está mal, devemos tirar as ilações do que de bom e mau se passou. E corrigir só o que está mal e não, como tem acontecido, insistir no que está errado. E o que está errado neste momento é não haver ligação ferroviária entre os concelhos da Lousã,  Miranda do Corvo e Coimbra. E é este o principal foco. Pode-se ponderar qual a solução mais barata (eu já dei algumas sugestões), mas a ligação ferroviária tem de ser reposta.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.